top of page
Featured Posts

[Trabalho acadêmico] Os terminais rodoviários de Campo Grande e sua relação com a cidade

  • 6 de abr. de 2015
  • 3 min de leitura

Sobre

Autor: Leonardo Santana Ramos

Disciplina: Representação e Criação Digital I

Período: 1º Período

Ano: 2015

Professor/Orientador: Gilfranco Alves

Instituição: Curso de Arquitetura e Urbanismo - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Não é segredo para ninguém que a rodoviária de uma cidade é o ponto de partida para aqueles que ali chegam pela primeira vez. Ela é o primeiro espaço ocupado e utilizado, onde são captadas as primeiras impressões sensoriais, onde são vivenciadas as primeiras experiências. E mesmo que um prédio tenha tanto significado, cultural e urbanisticamente falando, em muitas localidades ele pode representar um facilitador ou um obstáculo na vida daquele que chega na cidade. O prédio exerce tanta influência no espaço urbano que em seu entorno, quase sempre, floresce uma intensa atividade econômica, com serviços específicos (de transporte, estadia, alimentação) para aqueles que ali circulam.

Campo Grande é uma cidade que possui uma interessante história com seus terminais rodoviários, e tudo se inicia na construção do antigo Terminal Heitor Eduardo Laburu, na década de 70. Com sua arquitetura peculiar, logo o espaço ganhou vida, e passou a abrigar mais do que ônibus e passageiros, mas também duas salas de cinema, o que gerou toda uma atividade cultural em torno do espaço. A antiga rodoviária, como é conhecida atualmente, tornou-se um prédio único na cidade, que podia reunir diversos tipos de pessoas.

Com o crescimento demográfico da cidade, a rodoviária (que se localizava na região central da cidade) passou a ser um empecilho ao tráfego. O número de pessoas e automóveis era maior, e os ônibus, cada vez mais frequentes, provocavam engarrafamentos e dificultavam toda a circulação de veículos na região. Não bastasse tais problemas externos, o edifício em si apresentava suas problemáticas construtivas, como é o caso das escadas, que possuíam degraus muito altos, que dificultavam a circulação. O terminal foi tornando-se inviável ao espaço que ocupava.

A procura de um novo espaço para abrigar os ônibus de viagem (e todos os seus passageiros) que chegavam a Campo Grande era inevitável. Projetos foram feitos, verbas liberadas, construções começaram e foram interrompidas, porém, no fim das contas, o Terminal Rodoviário Senador Antônio Mendes Canale saiu do papel e foi construído em uma região afastada do centro da cidade.


Com a construção do novo terminal em vigor, o Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu encerra suas atividades oficialmente em janeiro de 2010. E com ele, toda a atividade econômica em torno do prédio foi perecendo aos poucos.

A nova rodoviária, com seus elementos construtivos lustrosos e imponentes, talvez tenha até trazido um certo brilho aos olhos do cidadão de Campo Grande, porém por pouco tempo, pois suas adversidades foram sendo expostas rapidamente.

Além de localizar-se em um espaço de difícil localização para aqueles que dependem do transporte público, o novo prédio rodoviário é um empecilho para a viagem de alguns, dependendo do destino. O prédio também não oferece o espaço e o conforto necessários para a quantidade de transeuntes do local. O acesso aos veículos de viagem é feito por uma única plataforma, ao fim de um extenso corredor (que é, basicamente, o que consiste o salão de embarque de toda a rodoviária) onde todos os passageiros se afunilam e se apertam no momento em que as partidas são anunciadas. As poucas opções de alimentação dentro do prédio extrapolam os preços usuais, e não oferecem grandes opções. No lado externo do prédio, não há acesso direto a nenhum tipo de terminal para transporte público, a única forma de tomar um ônibus é atravessando a avenida e encontrando um modesto ponto, no outro lado onde, na maioria das vezes, o viajante espera, e quando consegue embarcar descobre que necessita obrigatoriamente de um cartão para utilizar o veículo.

Enquanto o novo prédio mostra suas adversidades, o antigo fica entregue a degradação, e tornou-se um local perigoso e abandonado, onde poucos comerciantes tentam sobreviver, frente aos perigos das atividades ilícitas que ocorrem no entorno do local. Apesar de serem divulgados muitos projetos para a revitalização do antigo prédio, nenhum deles saiu do papel.


Sobre toda essa história é possível refletir acerca de alguns aspectos: a que ponto o imediatismo e a falta de planejamento podem comprometer um espaço público e a vida daqueles que o utilizam? Seriam soluções rápidas e de apelo estético a resposta para os problemas da cidade? Campo Grande ainda sofre no quesito rodoviária, e tudo isso deve-se à falta de planejamento e comprometimento com o cidadão que precisa de determinado espaço. Faltam soluções verdadeiras.


Segue abaixo a entrevista completa da Arquiteta e Urbanista Maria Lúcia Torrecilha, exibida em fragmentos no vídeo anterior, falando um pouco mais sobre o assunto.

 
 
 

Comentários


Verifique em breve
Assim que novos posts forem publicados, você poderá vê-los aqui.
Recent Posts
Archive
Search By Tags

© 2023 por EK. Todos os direitos reservados. criado por Wix.com

bottom of page